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Ambiente, sociedade e governance: o desafio da comunicação de resultados não financeiros das organizações

Cabo Verde tem merecido o aplauso internacional pela estabilidade política, pelo manifesto respeito para com os direitos humanos e pela forma como se relaciona e zela pelos compromissos no quadro externo.

Em abril deste ano, Cabo Verde apresentou o segundo compromisso climático à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC), renovando o seu empenho com o preconizado no Acordo de Paris. Reitera, assim, o compromisso assinado em 2015, em que os líderes mundiais se comprometeram a levar a cabo ações a favor do clima, com vista à limitação da temperatura abaixo dos 2°C, esforçando-se para reduzi-la para 1, 5 °C.

Apesar de ser um país que contribui pouco para o aquecimento global, Cabo Verde é dos mais fustigados pelas alterações climáticas devido à fragilidade dos seus ecossistemas. O arquipélago sofre com o agravamento da intrusão salina, a degradação do solo, a perda de biodiversidade, o aumento de tempestades tropicais, bem como com a recorrente atividade vulcânica, a escassez de chuva, entre outros problemas que afetam a sua sustentabilidade económica e social.

O novo Quadro de Cooperação das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDAF) em Cabo Verde vem reafirmar uma estratégia harmonizada com as prioridades nacionais e assente nos princípios relativos aos direitos humanos, igualdade de género e empoderamento das mulheres, sustentabilidade, resiliência e responsabilidade.

A construção de uma economia capaz de garantir um crescimento sustentável e inclusivo, com dimensão e maturidade necessárias à superação das vulnerabilidades estruturais (como as assimetrias regionais, o desemprego e a dependência externa), é um desafio estratégico para o arquipélago. A transformação económica coloca no centro das atenções o investimento na economia sustentável dos oceanos, nas energias renováveis, no mundo digital, nos agronegócios, apelando ao reforço do comércio, do turismo, da formação, do empreendedorismo e de políticas públicas de promoção da participação das mulheres e dos jovens enquanto forças ativas na sociedade. Este desafio impõe-se quer ao setor público quer ao setor privado, com efeito na definição de estratégias, no estabelecimento de objetivos e na operação quotidiana das organizações.

Até muito recentemente os principais indicadores de sucesso (ou insucesso) de uma organização eram financeiros, porém atualmente esta visão está ultrapassada. Hoje muito se fala em “sustentabilidade” e na necessidade de reporte ESG – Environmental, Social and Governance, mas aborda-se o tema com alguma leveza, como se se tratasse apenas da implementação de boas práticas, da tomada de decisões conscientes em relação ao ambiente, da poupança e da eficiência energética, da garantia de igualdade de oportunidades através da implementação de políticas da diversidade e de outras medidas que, de uma forma geral, são conhecidas.

Garantir uma utilização consciente dos recursos do presente sem comprometer a capacidade das próximas gerações de suprir as próprias necessidades implica ações sérias, de total disrupção com o que acontece atualmente. Zelar genuinamente por um nível de vida com qualidade, que assegure um equilíbrio entre as pessoas, a sociedade e o meio ambiente, e trabalhar para alcançar a neutralidade carbónica (ou valores próximos) exige a implementação eficaz de instrumentos e orientações que garantem uma mudança efetiva de comportamentos. Para além das boas práticas, torna-se imperioso medir os efeitos das ações de cada organização.

Torna-se por isso crucial estabelecer objetivos estratégicos, definir metas e analisar desvios. Não são apenas os custos, proveitos e dados financeiros que agora medem a robustez e a confiança das empresas. Importa, para além da materialidade financeira, a materialidade ambiental e social e apresentar nos relatos organizacionais os contributos para uma sociedade e uma economia mais equilibradas.

É premente informar acerca da emissão de CO2 e da emissão direta de gases com efeito de estufa (GEE) para a atmosfera, assim como sobre se a energia que a empresa compra para as suas operações é passível de ter sido produzida a partir de combustíveis fósseis. É também vital saber se a atividade da empresa causa direta ou indiretamente alterações nos solos além de conhecer as práticas de contratação da organização, o número e a natureza dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais.

É igualmente relevante dar a conhecer as prioridades formativas e as ações implementadas para o aumento das competências dos colaboradores com a apresentação de dados concretos e mensuráveis em termos de avaliação de eficácia e também informar sobre o envolvimento comunitário, a identificação, a auscultação e a participação dos stakeholders na atividade de cada entidade. É ainda crucial identificar os riscos financeiros e não financeiros, (inclusive os riscos ambientais, legais, sociais, tecnológicos), classificá-los segundo uma matriz de probabilidade e de gravidade e atuar no caminho da mitigação dos seus efeitos.

A responsabilidade social, a transparência a adoção de práticas sustentáveis reúnem contributos para a construção de sociedades justas que não comprometem as gerações futuras. As organizações que querem se manter no mercado de forma competitiva não poderão ficar alheias a estes aspetos.

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